3.8.11

Talvez a escrita seja uma expansão do universo

Talvez a escrita seja uma expansão do universo
e o que parece fantasia ou arbitrários lances
seja a lucidez da energia cósmica
As palavras concentram-se e propagam-se como uma concha ou uma onda
e a arte está no equilibrio do seu movimento
para dentro e do seu movimento para fora
Das suas narinas jorram duas correntes contrárias
uma branca outra vermelha que se enlaçam
formando um rio azul do dia habitável
A sua respiração é a indolência verde
da sua fantasia da matéria viva
e essa fantasia é a transparência mesma
da palavra nua aberta à melodia
do universo em elementar efusão
Entre os flancos do mundo o poema é um cavalo ébrio
com um único olho de cristal por onde o sol se engolfa
e cuja luz se repercute em delicadas linhas
da energia unânime do seu peito inacabado

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fotografia e selecção de poemas de João Silva