16.10.15

No centro do mundo

Oscilante geometria tranquila
presença suficiente do ínfimo e do amplo
No centro do tempo não há tempo

Tranquilidade para ir ao encontro de
Estou dentro estou aberto habito
um limpo rosto de desconhecida frescura

Ramagens dispersão de nuvens indícios ténues

Sou uma linguagem límpida com o vento
Bebo nas múltiplas nascentes
do espaço puro
Acendo-me e apago-me e é a claridade que muda
Tranquilidade das ramagens crepitação de brasas

Durmo silencioso e mais desperto do que nunca
Sou o ar que se dissipa no ar
Como me perdi quem sou as interrogações cessaram

Estou dentro e fora na densidade subtil
Não ha aqui imagens extravagantes rumores estranhos
Tudo se desenrola na lúcida amplitude tranquila
As palavras sucedem-se como vagarosas nuvens
O dia é limpido e lê-se como um livro aberto

fotografia e selecção de poemas de João Silva